Percurso · Passo 1 de 22
O acaso existe?
Derrubado o nada, Roger agarra-se ao segundo pilar: o universo seria obra do acaso e das suas leis. Mas o que é, afinal, o acaso?
— Falaremos da alma em outra conversa. — Diz Tom — Responde-me a uma pergunta...
— Qual? — Perguntou Roger.
— Quem, ou o que, criou o universo?
Roger pega no seu copo, bebe um gole de vinho, e afirma:
— O universo é obra do acaso e das leis que lhe deram origem e o regem.
Tom responde dizendo:
— Amigo Roger, obra do acaso! Esse é outro pilar do ateísmo que também é facilmente destruído.
— Tom, explica-me o teu ponto de vista relativamente ao universo não ser obra do acaso.
— Sim, Roger, o universo não pode ser obra do acaso.
— Porquê? — Pergunta Roger — Como podes afirmar isso?
— Quando alguém afirma que tal coisa é obra do acaso, significa que essa mesma coisa é fruto do acaso? Ou será que quem afirma isso não compreende a razão ou o motivo por que tal coisa aconteceu? Teria a pessoa compreensão de tudo aquilo que se relaciona com o que fez que tal coisa acontecesse? É mais uma vez o mesmo princípio, caro Roger. Como podemos falar na existência do acaso, se não compreendemos tudo sobre tudo. O nada e o acaso são palavras, são expressões que revelam o desconhecimento de alguma coisa.
Roger, mais uma vez, estava surpreendido pela argumentação do amigo. Por momentos não foi capaz de articular qualquer resposta. Levou algum tempo para processar a resposta de Tom. Após algum tempo, ele diz:
— Sim, muitas vezes chamamos de acaso a certos acontecimentos que não conhecemos ou não compreendemos. Mas não haverá situações em que seja mesmo obra do acaso?
Tom, que já esperava a pergunta do Roger, diz:
— É o mesmo princípio do nada, Roger! O acaso é uma expressão de linguagem que as pessoas usam para se referirem a uma causa desconhecida do acontecimento.
Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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