Percurso · Passo 18 de 22
Existem provas científicas da vida após a morte?
Chega a hora das provas. De Ian Stevenson a Pim van Lommel, do caso Shanti Devi ao ténis azul de Maria: as investigações científicas, caso a caso, com as fontes.
— Que investigações científicas são feitas sobre o espírito e o seu destino após a morte do corpo físico?
— São muitas e de vários tipos, mais recentes ou mais antigas, em todos os continentes. Existem investigações feitas sobre as experiências de quase morte, as das visões no leito da morte, as experiências fora do corpo, as das crianças que se recordam de existências passadas, as da transcomunicação instrumental, as da regressão de memória até existências anteriores, as da mediunidade e outras. São investigações realizadas por cientistas de várias áreas.
Roger, curioso, diz:
— Podes dar-me alguns exemplos concretos desses investigadores e das suas descobertas?
— Com prazer. O Dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, dedicou quarenta anos a estudar crianças com memórias de vidas anteriores, documentando mais de três mil casos em todos os continentes. Casos em que crianças descreviam com precisão locais, pessoas e eventos de vidas anteriores que nunca poderiam ter conhecido (7). O cardiologista holandês Dr. Pim van Lommel publicou na revista científica The Lancet um estudo rigoroso sobre experiências de quase morte em doentes em paragem cardíaca, sem atividade cerebral mensurável, que relataram experiências conscientes detalhadas e verificáveis (8). E o Dr. Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra, publicou pela Springer Nature — uma das maiores editoras científicas do mundo — uma investigação abrangente sobre a sobrevivência da consciência após a morte. (6)
Roger, ainda mais curioso, diz:
— Tom, os nomes e as áreas de investigação são convincentes. Mas tens casos concretos? Casos específicos que te impressionaram?
— Tens toda a razão em pedir isso, Roger. Os casos são a parte mais difícil de ignorar. Vou dar-te um caso representativo de cada tipo de investigação.
Crianças com memórias de vidas anteriores
O caso de Shanti Devi, investigado na Índia, nos anos trinta do século passado e posteriormente documentado por Ian Stevenson. Esta criança, desde os quatro anos de idade, descrevia com detalhe a sua vida anterior como Lugdi Devi, numa cidade chamada Mathura, a centenas de quilómetros de onde vivia. Descrevia o marido, os filhos, a casa, os hábitos, detalhes da sua morte durante um parto. Um comité de investigação foi criado e levou a criança a Mathura pela primeira vez. Ela reconheceu a cidade, encontrou o caminho até à casa sozinha, identificou o marido anterior entre uma multidão, e referiu detalhes que só alguém que tivesse vivido ali poderia conhecer. Tudo foi verificado e documentado. (7)
O caso de James Leininger, investigado por Jim Tucker da Universidade de Virgínia. James era um menino americano que, aos dois anos de idade, começou a ter pesadelos recorrentes sobre um avião a cair em chamas. Descrevia com detalhe ser um piloto da Segunda Guerra Mundial chamado James Huston Jr., identificava o nome do porta-aviões onde servia, o nome de companheiros de esquadrão e o modelo do avião. Os pais, inicialmente céticos, verificaram que todas as informações correspondiam a um piloto real que morrera em combate no Pacífico em 1945. Tucker publicou este e outros casos no livro Life Before Life. (7)
Experiências de quase morte
O caso de Pamela Reynolds, documentado pelo cardiologista Michael Sabom, no livro Light and Death. Pamela foi submetida a uma cirurgia cerebral em que o seu cérebro foi completamente drenado de sangue e arrefecido a uma temperatura que tornava impossível qualquer atividade neurológica — o eletroencefalograma estava completamente plano. Era clinicamente morta. Quando foi reanimada, descreveu com precisão os instrumentos cirúrgicos utilizados, as conversas da equipa médica e os detalhes do procedimento. A equipa cirúrgica confirmou a exatidão das suas descrições. Este caso é considerado um dos mais rigorosamente documentados desta área. (9)
Do estudo de Pim van Lommel, no The Lancet: um homem deu entrada em paragem cardíaca, inconsciente. Durante a reanimação, uma enfermeira removeu a sua dentadura postiça e colocou-a num carrinho de materiais. Quando o paciente recuperou a consciência, dias depois, reconheceu essa enfermeira, disse-lhe onde estavam os seus dentes e descreveu o carrinho com precisão — bem como detalhes da sala de reanimação e dos procedimentos que ocorreram enquanto estava clinicamente morto, sem atividade cerebral. (8)
Visões no leito da morte
O caso documentado pelo médico Sir William Barrett no livro Death-Bed Visions. Uma mulher chamada Doris, em fase terminal, começou a descrever visões do seu pai falecido que vinha buscá-la. O extraordinário é que Doris descreveu também a presença da sua irmã — mas a família tinha deliberadamente ocultado de Doris que a irmã havia morrido dias antes, para não a perturbar. Doris não poderia ter sabido da morte da irmã por meios normais. Barrett documentou dezenas de casos semelhantes em que os moribundos descreviam a presença de pessoas que não sabiam ter morrido, eliminando a hipótese de alucinação alimentada por expectativa. (10)
Experiências fora do corpo
O caso investigado pela psicóloga Kimberly Clark Sharp. Uma paciente chamada Maria sofreu uma paragem cardíaca num hospital de Seattle.
Após ser reanimada, relatou que durante a paragem havia saído do seu corpo e visto, num parapeito de uma janela do terceiro andar, um ténis de desporto de cor azul com um pormenor específico: o cordão estava por baixo do calcanhar. Clark Sharp verificou pessoalmente e encontrou exatamente o ténis descrito, no local indicado, com o cordão por baixo do calcanhar — um detalhe invisível de qualquer janela do hospital, que Maria jamais poderia ter observado pelos meios normais. (11)
Regressão de memória a existências anteriores
O caso documentado pelo psiquiatra Brian Weiss no livro Many Lives, Many Masters. Uma paciente chamada Catherine, tratada por fobias e ansiedade crónica, foi submetida a hipnose terapêutica. Inesperadamente, começou a descrever com detalhe vidas em épocas históricas diferentes. O que tornou o caso cientificamente notável foi que Catherine transmitiu informações específicas sobre a família do próprio Weiss — incluindo o nome do seu filho falecido e detalhes da morte desse filho — que eram desconhecidas do público e que Weiss verificou serem exactas. Weiss, psiquiatra académico cético, publicou o caso depois de anos de hesitação, consciente do custo que teria para a sua reputação. (12)
Mediunidade
O caso de Leonora Piper, investigado por William James, professor de filosofia e psicologia em Harvard e fundador da psicologia americana. James era profundamente cético quando começou a investigar Piper, uma médium que transmitia mensagens de pessoas falecidas. Depois de anos de investigação rigorosa — incluindo vigilância privada para verificar que ela não recolhia informações antecipadamente, e sessões com participantes anónimos — James concluiu que Piper transmitia informações impossíveis de obter por meios normais. O seu relatório publicado nas actas da Society for Psychical Research é considerado um dos documentos mais rigorosos desta área. James escreveu: encontrei a minha ovelha negra — uma única ovelha negra é suficiente para provar que nem todas as ovelhas são brancas. (13)
Transcomunicação instrumental
As investigações do engenheiro Friedrich Jürgenson, na Suécia, nos anos cinquenta do século passado. Jürgenson gravava canto de pássaros para uma documentação ornitológica quando, ao rever as gravações, descobriu vozes que respondiam às suas perguntas e mencionavam o nome da sua mãe falecida. Estas investigações foram retomadas pelo psicólogo Konstantin Raudive, que documentou mais de cem mil gravações de vozes em condições controladas de laboratório, com equipamentos blindados contra interferências de rádio. O livro de Raudive, Breakthrough, foi analisado por engenheiros da Pye Records, no Reino Unido, que confirmaram a presença das vozes sem conseguir explicá-las. (14)
Roger fica em silêncio por um momento e diz:
— Tom, estes casos são extraordinários. E o que os torna diferentes de simples histórias é precisamente o facto de terem sido investigados com rigor, por pessoas sem interesse em provar coisa alguma, e de os detalhes terem sido verificados de forma independente.
— É exatamente isso, Roger. A força destes casos não está na fé de quem os viveu. Está na verificação independente dos factos. E são milhares, não dezenas. Em todos os continentes. Com padrões que se repetem de forma consistente, independentemente da cultura, da religião ou da época.
Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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