Percurso · Passo 21 de 22
E se todos soubessem que a reencarnação existe?
O percurso termina onde a obra termina: na visão do que a humanidade se tornaria — e na única pergunta que fica, honestamente, sem resposta.
— A reencarnação, se fosse conhecida por toda a humanidade, não como um ato de fé mas como um facto insofismável, poderia causar uma grande revolução positiva na Terra.
— Sem dúvida meu amigo. A xenofobia, o racismo, as diferenças entre homens e mulheres, as diferenças entre classes sociais deixariam de ser um problema para a humanidade. A xenofobia, porque nós podemos encarnar em países que hoje consideramos nossos inimigos, e os nossos inimigos podem encarnar no nosso país. O nacionalismo, e pior ainda, o ultranacionalismo deixariam de fazer sentido. O racismo, porque nós podemos encarnar em corpos de qualquer etnia. E aqueles que hoje não pertencem à nossa podem vir a encarnar nela. O mesmo aconteceria com as diferenças existentes entre homens e mulheres, porque o espírito pode encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher; com as diferenças sociais, porque nós podemos encarnar em todas as classes sociais.
— O que nos distingue verdadeiramente não é o país em que encarnamos, a cor de pele que temos, se somos homens ou mulheres, se somos ricos ou pobres. O que nos distingue é o nosso grau de evolução em relação aos outros. O espírito que é superior não procura rebaixar ninguém. O superior ajuda o inferior a tornar-se melhor.
— É verdade. As guerras, os conflitos de várias ordens deixariam de fazer qualquer sentido. A fome, a pobreza extrema desapareceriam da Terra.
— Pois é. Continuaria a haver pessoas mais ricas do que outras, porque a igualdade absoluta é uma utopia. Os espíritos não estão todos no mesmo pé de igualdade no que toca à sua evolução. Se distribuíssemos igualitariamente toda a riqueza que existe no mundo, em menos de cinco minutos já haveria pessoas mais ricas do que outras. O problema não está na existência da riqueza em si, mas está no exagero verificado na forma como ocorre a distribuição da riqueza. Não faz sentido que haja pessoas extremamente ricas e outras a morrer à fome.
— Tens razão. A humanidade passaria a ser extremamente cooperativa.
Roger, pensativo, diz:
— Tom, lembras-te que anteriormente perguntei de onde vêm as almas e quando foram criadas, e disseste que veríamos isso depois. Ainda não respondeste.
— Tens razão, Roger. A verdade é que não sabemos quando foram criadas. Deus criou-as, mas o momento da criação está além do nosso conhecimento atual. O que sabemos é que foram criadas simples e ignorantes — como uma folha em branco — e que desde então evoluem pelo seu próprio esforço e vontade em direção à perfeição. O caminho é longo, mas nenhuma alma fica para trás para sempre.
Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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