A Grande Descoberta

Percurso · Passo 20 de 22

A ciência é ateísta?


A última objeção de Roger é a mais moderna de todas. A resposta distingue a ciência do dogma que às vezes fala em seu nome.

Roger, intrigado, diz: — Mas, Tom, se estas investigações existem e são conduzidas por cientistas sérios em universidades respeitadas e publicadas em revistas científicas de referência, por que razão não são aceites por toda a comunidade científica?

— É uma pergunta muito pertinente, Roger, e as razões são várias. Primeiro, há um preconceito científico profundamente enraizado — muitos cientistas partem da conclusão de que a consciência é produto do cérebro e analisam qualquer evidência contrária com essa conclusão já formada. Não é ciência, é dogma com linguagem científica. Segundo, há preconceitos religiosos — e isto pode parecer surpreendente, mas há cientistas ligados a igrejas católicas ou protestantes para quem a reencarnação é uma heresia, e isso influencia inconscientemente a forma como avaliam as evidências. Terceiro, há um problema de carreira — um cientista que publique investigações sobre a sobrevivência da consciência arrisca-se a ser marginalizado pelos seus pares, perder financiamento e ver a sua reputação académica comprometida. O preço profissional de ir contra o consenso dominante é muito alto. Quarto, há simplesmente desinteresse — muitos cientistas consideram o tema irrelevante para as suas áreas de investigação e nunca se debruçaram sobre ele com seriedade. E por fim, há o problema do método — a ciência tradicional foi construída para estudar o mundo material e mensurável. Fenómenos que transcendem a matéria desafiam os próprios instrumentos e métodos da ciência convencional. Isso não significa que não existam — significa que exigem métodos de investigação mais abrangentes e humildes.

Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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