Percurso · Passo 5 de 22
Deus importa-se connosco?
Roger rende-se à razão: Deus existe. Mas resta-lhe uma pergunta — a que abre a porta a toda a segunda parte deste percurso.
— Tens razão, meu amigo! Deus existe. Não tenho mais argumentos que possam negar a sua existência. Pensas que Deus se importa connosco?
Tom abre um sorriso e diz: — Assim como tu e eu queremos o melhor para os nossos filhos, e somos imperfeitos, o que não quererá Deus para nós?
Roger, pensativo, diz: — Mas Tom, isso é um argumento emocional. Como podes provar pela razão que Deus se importa com as suas criaturas?
— Pela mesma razão que usámos até aqui. Já concluímos que a causa primária é inteligente e que produziu leis com uma precisão extraordinária — o ajuste fino do universo de que falámos. Ora, uma inteligência que calibra com tal precisão as condições para que a vida exista, não o faz por indiferença. A indiferença não constrói uma casa tão cuidada para um hóspede que despreza. Mas há uma resposta ainda mais sólida, Roger, e essa exige que conheçamos primeiro a própria natureza de Deus — os seus atributos. Quando o fizermos, verás que o cuidado de Deus pelas suas criaturas não é um desejo nem uma esperança, mas uma consequência necessária daquilo que Deus não pode deixar de ser. Fica essa conversa para o nosso próximo encontro.
Fim
Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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