Percurso · Passo 3 de 22
Fomos criados por extraterrestres? A vida veio do espaço?
Há quem procure a origem do homem em seres de outros mundos, e a origem da vida em asteroides vindos do espaço. Tom aceita as duas hipóteses por instantes — para mostrar que nenhuma delas responde à verdadeira pergunta.
Tom, após uma pausa, continua:
— Certas pessoas pensam que a raça humana foi criada por extraterrestres. Pensam elas que seres de outros mundos interferiram e criaram o ser humano.
— Que absurdo! — Diz Roger.
— Não vamos agora debruçar-nos sobre a questão da existência de vida inteligente em outros mundos. Vamos sim, por uns segundos, admitir que essas pessoas estão com razão. Sim, vamos admitir que foram seres de outros mundos que criaram a raça humana. A pergunta que se impõe é: quem ou o que criou esses seres de outros mundos? Se as pessoas julgam que com esse argumento podem desmentir a existência de Deus, sai-lhes o tiro pela culatra.
— Sim, é verdade! — Diz Roger — É uma boa pergunta.
— Há pessoas que pensam que a vida existente na Terra foi trazida por asteroides que aqui caíram, vindos do universo. Vamos, por um segundo, admitir que sim, que foi trazida do espaço para aqui. A pergunta que se coloca é: o que criou essa vida que veio do universo? É o mesmo princípio dos que afirmam que seres de outros mundos criaram a raça humana.
— Pois, realmente é o mesmo princípio. De onde quer que venha a vida, ela tem que vir de algum lado.
— Pois. Como disse Voltaire: Se Deus não existisse, tinha que ser criado. Voltaire disse isso, porque sem ele o universo não poderia existir e nós não poderíamos estar aqui a ter esta conversa.
Roger, curioso, pergunta:
— Voltaire? Não era ele um dos maiores críticos da religião?
— Exatamente. E é precisamente por isso que é tão significativo. Voltaire não era religioso, era deísta — acreditava numa inteligência criadora pela força da razão, não pela fé. E foi precisamente pela razão que chegou a essa conclusão. O que nos mostra que este caminho que estamos a percorrer não é exclusivo de crentes ou religiosos. É um caminho aberto a qualquer pessoa que pense com rigor.
Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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