A Grande Descoberta

Percurso · Passo 11 de 22

O que é a reencarnação?


Revelada a resposta, é preciso compreendê-la. Porquê regressar à matéria, se a alma podia evoluir no mundo espiritual? Que sentido tem esquecer o passado? Tom responde às objeções de Roger uma a uma.

— Então nós já vivemos antes? E viveremos quando estes corpos morrerem?

— Sim, isso mesmo. A reencarnação é a pedagogia de Deus. É a grande escolha de Deus.

— Espera aí, isso é incrível, e explica todas essas coisas que tínhamos vindo a falar. Sim, é claro. Agora consigo ligar todos os pontos. A criança boa foi a alma que tinha progredido já em outras existências, e a criança má, rebelde, é a alma que ainda não conseguiu melhorar-se. E aquele exemplo que falaste sobre a criança que nasce numa família boa e outra numa família má, penso que a alma má que nasce numa família boa pode ser uma alma que está a fazer todos os esforços por se tornar boa. Já a criança boa que nasce numa família má tem a tarefa de melhorar essa família com exemplos bons. Também compreendo agora aquele caso das crianças que morrem em tenra idade ou pouco tempo depois de nascer. Com as múltiplas existências da alma, esta passa por todo o tipo de experiências para se tornar melhor. Ok, ok. Mas diz-me, após a morte deste corpo, a alma tomará outro corpo imediatamente?

— Não, Roger. A alma fica no universo, ou podes chamar-lhe realidade espiritual. Fora da matéria como a conhecemos aqui.

Roger franze o sobrolho e diz:

— Se a alma fica na realidade espiritual entre as vidas, porque não fica lá para sempre? E não estou a falar de ficar parada — isso eu sei que seria um castigo. Estou a falar de ficar lá ativa: a evoluir, a aprender, a ajudar outros espíritos. Porquê voltar a um corpo através da reencarnação ?

Tom sorri, satisfeito com a pergunta e diz:

— Há aprendizagens que só a matéria proporciona. No corpo a alma tem possibilidade de experimentar tentações que na realidade espiritual não tem. Ao reencarnar, a alma tem a dádiva do esquecimento parcial do passado que é o véu que lhe permite começar de novo, enfrentar cada vida sem o peso de todas as anteriores, viver provas e expiações que de outro modo seriam impossíveis na realidade espiritual. A alma vive cada existência como uma experiência inteiramente nova, com desafios que nunca enfrentaria se permanecesse para sempre na realidade espiritual, com a memória intacta. É a variedade sem fim dessas experiências, sempre recomeçadas, que faz a alma evoluir.

Roger fica em silêncio durante um longo momento e depois diz: — Já percebi, Tom. A alma evolui dos dois lados — no mundo espiritual e na vida corporal. Mas há lições que só o corpo ensina, provas que só a matéria oferece, recomeços que só o esquecimento torna possíveis. Por isso a alma não fica eternamente de um lado só: precisa dos dois para crescer por inteiro.

Tom acena lentamente: — Agora fechámos a última porta, Roger. Não há outra hipótese de pé.

— E a alma só se liga a corpos humanos ou pode ligar-se a corpos de animais?

— Roger, qual será a utilidade evolutiva de numa próxima existência nos ligarmos a um corpo de um animal? Não, as múltiplas existências servem para que a alma se melhore. A alma necessita de equipamentos (corpos) que possam ajudá-la a tornar-se melhor. A alma pode permanecer estacionária por algum tempo, mas nunca retrograda na sua evolução. E além da questão da utilidade, há a questão da lógica: um corpo de animal não possui os instrumentos de que uma alma humana já dispõe — a razão, a linguagem, o sentido moral, a consciência de si. Colocar uma alma humana num corpo de animal seria privá-la de tudo aquilo que já conquistou, seria fazê-la recuar. E o recuo é precisamente o que a lei da evolução não permite. Seria como pedir a um adulto que desaprendesse a falar e a pensar. Por isso, uma vez alcançado o grau humano, a alma encarna sempre em corpos à altura do que já é, ou que a façam crescer ainda mais — nunca abaixo disso.

Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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