A Grande Descoberta

Percurso · Passo 10 de 22

Para onde vai a alma depois da morte?


É a grande pergunta de todo o percurso. Tom examina, um a um, os destinos que as tradições propõem — e mostra porque cada um deles viola a natureza de Deus. O que resta é a grande escolha.

— Então de onde vêm as almas? Quando foram criadas?

— Vamos ver isso depois. Antes disso, precisamos de entender para onde vai a alma após a morte. Irá para um céu ou paraíso? Para um inferno? Para um limbo? Irá para o todo universal, como defendem os panteístas?

— Não sei, diz-me tu.

— Se a alma fosse para um céu ou paraíso, ficaria eternamente numa beatitude inútil? Não te parece isso um género diferente de castigo?

— Realmente, uma contemplação eterna seria um suplício. Continua.

— Se fosse para um inferno, ficaria em sofrimento eternamente, sem qualquer hipótese de arrependimento? Essa ideia contradiz pelo menos dois atributos de Deus: o da suprema inteligência, porque, se apenas uma das almas que ele criou fosse para um inferno, seria a constatação do seu fracasso para com aquela alma; e o da suprema justiça e bondade, porque Deus precisaria de ser muito mau para deixar um de seus filhos num sofrimento eterno sem remissão. Bastaria, para esse espírito, uma existência mal direcionada para Deus lhe ditar um suplício eterno, num ato de vingança contra a sua criatura. Isso não é justo, não é bom e não é inteligente.

— De facto, a ideia do inferno transforma Deus num ser terrível e castigador. Continua meu amigo.

— Se fosse para o todo universal, perderia a sua individualidade para toda a eternidade. Vimos que a alma é um ser individual, teve um início e não terá fim, logo não pode perder a sua individualidade. O pensamento panteísta ainda tem outro problema: essa ideia, do todo universal ser constituído por Deus e pelas suas criaturas, contraria os seus atributos. Se assim fosse, então Deus já não seria a suprema inteligência, visto que há seres muito pouco inteligentes que fariam parte do todo universal. O atributo da imutabilidade de Deus também ficaria anulado ou apoucado pelo mesmo princípio, assim como o atributo da omnipotência de Deus. O atributo da soberana justiça e bondade também ficaria anulado ou diminuído, porque umas almas são mais bondosas do que outras. O atributo da perfeição infinita de Deus também ficaria anulado, visto que as almas são umas melhores do que outras.

Roger, então, diz:

— Sim, compreende-se que a alma tenha tido um início e que não terá um fim. Que será eterna. Também se compreende a impossibilidade do destino da alma ser um qualquer céu ou paraíso. Também se compreende a impossibilidade do destino da alma ser um qualquer inferno eterno. Compreende-se também a impossibilidade das ideias panteístas. Também é lógico que o destino da alma não seja um qualquer limbo. Sim, caro Tom. Tudo isso é profundamente lógico. Não há como sustentar essas ideias absurdas e irracionais. Mas, afinal, qual será o destino da alma?

Tom abre um sorriso e diz:

— Caro Roger, a alma já viveu antes, animando outros corpos, e viverá ainda depois, animando novos corpos. Num suceder de existências materiais. O nome disso é REENCARNAÇÃO.

Roger, surpreendido, diz:

— Reencarnação? Mas isso não é uma ideia religiosa, oriental?

— É o que muitos pensam, Roger. Mas a reencarnação não é propriedade de nenhuma religião. No Egipto antigo, há mais de três mil anos, a ideia da sobrevivência da alma e do seu retorno era central na sua visão do mundo. Na Índia, filósofos exploravam a reencarnação muito antes do surgimento das grandes religiões organizadas. Platão defendia-a na Grécia antiga. Pitágoras também. Os druidas celtas também. O filósofo Giordano Bruno foi queimado pela Inquisição em parte por defender ideias semelhantes. Culturas que nunca comunicaram entre si chegaram à mesma conclusão — o que é em si mesmo significativo. E mais recentemente, como veremos, cientistas de vários continentes têm investigado este fenómeno com rigor académico. A reencarnação não é uma questão de fé — é a conclusão lógica de tudo o que já discutimos. É a única resposta que não viola nenhum dos atributos de Deus que estabelecemos.

Excerto da obra A Grande Descoberta, de César Manuel Malainho de Oliveira.
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